História do Vestido de Noiva
O casamento, em muitas situações, era uma espécie de negócio acertado entre duas famílias, visando conveniências econômicas ou prestígio social. As moças da sociedade de elite se casavam cedo - em geral com 13, 15 anos. Os enxovais, repletos de peças de linho bordadas com esmero, começavam a ser feitos quando a menina estava com 12 anos e eram guardados em baús. A primeira mulher a se vestir de branco com flores de laranjeira foi Maria I, Stuart (1542 -1587), Rainha da Escócia.


Afinal, não é tanto tempo em termos de história.


A mudança comportamental começou com a fogueira de sutiãs. Nas três décadas que se seguiram ao levante feminista, elas conquistaram direitos e espaços em diferentes áreas. Com o surgimento do capitalismo, nasceu uma sociedade consumista, e a ela alcançou um novo patamar social, passando a participar no mercado de trabalho; além das inúmeras transformações, conquistou, sobretudo, a liberação sexual. Tornou-se mais independente, contrariando a reputação do passado, assumiu um papel diferente, participando de forma mais atuante: de submissa à interdependente. Logo após a Revolução Industrial, instaura-se uma outra relação entre família e sociedade, redimensiona-se o número de filhos mediante a conscientização dos valores materiais.


No século XX, ficamos estarrecidas e comovidas ao ver a profunda mudança ocorrida na vida das mulheres. A situação econômica e social exerce influência sobre os modelos; casam-se com diferentes cores, inclusive o vermelho e o preto; porém, o conhaque domina os tons, representando a liberdade de escolha, de opções frente à independência feminina. Vamos observar um pouco mais esta mudança:


Prisioneiras do espartilho em 1900, vestia branco como sinal de pureza e virgindade. Vestidos práticos e simples, sem saiotes; os compridos, com ou sem cauda, véus de rendas ou mantilha (de Bruxelas), artesanais, passavam de mãe para filha. A mulher não tinha direito a voto e era totalmente dependente do "senhor meu marido". Conforme o dito popular: "educada para casar" , sinônimo de servilismo e, na relação a dois, sustentando as funções do casamento, reservada aos cuidados da casa, do marido e filhos. A história da mulher, sua educação, a mulher era comandadas pelo marido e seus anseios, reprimidos; em 1910, a noiva nem ousa levantar os olhos para o marido.


Durante muito tempo, inclusive recentemente, a conservação de muitas famílias, esteve ligada ao papel feminino na sociedade, a dedicação à família, a difusão dos valores e a submissão era um dos meios de perpetuar as tradições religiosas. Mas nem todas aceitaram. E essas corajosas pioneiras, celebridades ou mulheres anônimas, seja nas grandes causas ou em pequenos detalhes cotidianos, rebelaram-se e decidiram mudar a própria história e a de todas as que viriam depois.


Nos anos 20 a mulher usava-se um vestido mais curto, abaixo do joelho, luvas, véu comprido, decote em forma de U. Os tecidos finos, estilo Melindrosa.


Nos anos 30 nosso desafio não é menor - não se casar significava fracassar socialmente. Uma mulher com mais de 20 anos sem a perspectiva de um casamento já morria de medo de ficar "encalhada" ou "pra titia". Aos 30 anos, uma mulher era "solteirona", enquanto o homem ainda era um "bom partido". Pesquisas da época mostraram que as mulheres se casavam, em média, com 23 anos, e os homens, por volta dos 27. A Constituição permitiu o voto feminino. Vestido liso e longo.


POR VOLTA DE 1940


A máquina dos sonhos de Hollywood ditou a moda. A Rainha Elizabeth se casou em 47, vestindo duas tendências: o cetim e a coroa. Num modelo comprido e evasê, com detalhes, um transpassado assimétrico e o justo colado com rabo de peixe.


Em 1950, nosso desafio não é menor - o grande medo de ficar solteira ainda persistia na década de 50; os casamentos da Rainha Elizabeth e Grace Kelly foram os marcos do novo estilo, coroa, vestido com cauda, véu longo, mangas justas e saiotes; rendas vazadas mostravam o colo.


1960


Beatles, Jovem Guarda e festivais de MPB. A rebeldia era traduzida pelos minis; os vestidos eram simples, com recortes abaixo do busto, tubinhos ou evasê e mangas de sino. Tarefas como cozinhar, lavar, passar, limpar a casa e cuidar dos filhos eram deveres exclusivamente femininos. O homem ajudava, quando muito, fazendo algum pequeno reparo. Essa ordem das coisas não era contestada. As revistas femininas pregavam às leitoras que elas não tinham o direito de questionar a divisão dos papéis nem deviam exigir a participação do marido nos serviços do lar, "sob pena de comprometer o equilíbrio conjugal".


1970


Surgiram os movimentos feministas organizados e a emancipação da mulher. As "prendas domésticas" continuavam a ser a arma feminina para segurar o casamento. Segundo as próprias revistas femininas, manter a casa agradável, o marido satisfeito e saber administrar o orçamento doméstico eram a receita da "companheira perfeita". Uma companheira, diga-se, que pouco participava dos interesses do marido fora de casa, nem compartilhava com ele seus anseios. Lançaram-se as publicações "Nós Mulheres" e "Brasil Mulher", o Jornal das Moças e O Cruzeiro bombardeavam a cabeça das leitoras com conselhos como "Não telefone para o escritório dele para discutir frivolidades"; "Não se precipite para abraçá-lo no momento em que ele começa a ler o jornal"; "Não roube do marido certos prazeres, mesmo que esses a contrariem, como fumar uto ou deixar a luz do quarto acesa para ler antes de dormir". Um pouco de Julieta e de hippie, em vestidos justos nos braços e de mangas bufantes. Saias longas cortadas na cintura, rendas e flores em outros tons. 1980


Os casamentos de conveniência ainda ocorriam, mas com menor freqüência; as normas de comportamento tornavam-se mais tolerantes; casaram-se Lady Dy e príncipe les. Predominou a coroa em modelos de vestidos com saias amplas, sobressaias, bordados com decote princesa.


No final do século 20, ainda há muito por que lutar e o que conseguir. De acordo com a revista Bride, 92% das noivas que se casaram na década de noventa usaram vestidos longos, diferentes costureiros ditaram moda com modelos clássicos reformulados. Os vestidos mais ousados trocam as saias e sobressaias dos anos 80 por uma única saia. O corpo é baixo, trabalhado, e as mangas justas. Alguns modelos com cauda sobreposta.


Fonte:www.guiadenoivos.com.br